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Sonho com liberdade. Sonho com voar, saltar, queda livre no ar e deixar as preocupações para trás. Não há mais dor, não há mais pensamentos, não há porquês, não há mais angústia, tormento e ânsia, medo de fazer errado, medo de dar errado, medo de ser errado.  Mergulho profundo, tiro no escuro, sono imenso, dormência eterna, sete palmos fora daqui. Liberdade tornada realidade.
 Porquê que odiamos tanto o nosso corpo? Porquê que não aceitamos aquilo que somos, amamos quem somos? Não, preferimos olhar no espelho e detestar cada pedaço de pele que não corresponde a um ideal imaginário. Detestamos cada curva, cada linha, cada saliência que nos dizem imperfeita, cada partícula que não encaixa no padrão e odiamo-nos por não sermos um ser perfeito, um ser inatingível criado pela sociedade. O meu corpo levou-me em momentos difíceis. Levantou-se sempre que o tentei deitar abaixo. Arrastou-se da cama sempre que o meu espírito estava quebrado, anda orgulhosamente com as cicatrizes de todo o mal que lhe fiz. Então porquê que não sou capaz de o amar, mesmo que o deseje intensamente? Porque que não me sinto orgulhosa daquilo que sou, por dentro e por fora? Porquê que tenho momentos em que me sinto lixo, em que desejava ser invisível, em que desejo estar só para que ninguém me olhe ou julgue, mesmo quando o único julgamento que recebo parte de mim mesma? Não compreendo...
 Tenho tanto por dizer mas nada me sai. Desde quando é que ok tornou-se sinónimo de estar bem? O peso da memória revela-se em flashes, mostram-me mais do que aquilo que pensava saber.  Sacodem-me o cérebro, provocam-me as emoções, fazem-me questionar o que estou a fazer, para onde fui eu? Onde é que está a minha cabeça? Porquê que faço isto a mim mesma, porquê que sou a minha maior inimiga? Eu devia olhar por mim, então porquê que me direciono sempre para o falhanço, porquê que mino o meu caminho e chamo essas minas de amor e felicidade? Não posso culpar ninguém a não ser eu própria. Como podemos esperar outra paisagem se nós é que não mudamos de caminho? Eu estico-me e estico-me até ao ponto de quebra. Anseio por algo que sei que não está lá, talvez nunca teve. E quebro-me milhões de vezes, e deixo-me ser quebrada. Até o dia em que pagarei em mim e nos meus milhões e colar-me-ei à minha maneira.